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Cuidar do sono é parte do envelhecimento saudável

Envelhecer com saúde também envolve atenção à qualidade do sono. No Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro, a Profª Dra. Cristina Salles chama atenção para queixas que merecem investigação: despertares frequentes, cansaço durante o dia, dificuldade de concentração e alterações de memória não devem ser atribuídos automaticamente à idade.

Segundo a médica do sono e pesquisadora, o envelhecimento modifica a organização e os ciclos do sono. Essas mudanças, porém, não justificam considerar sintomas persistentes uma consequência inevitável dessa fase da vida.

Entre as condições que precisam ser investigadas está a apneia obstrutiva do sono (AOS), caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante o descanso noturno. A condição pode provocar quedas recorrentes da oxigenação e fragmentação do sono, com possíveis repercussões na saúde e nas atividades cotidianas.

Sono, memória e autonomia

A atenção ao sono integra o cuidado com a saúde cerebral. Dormir sem interrupções suficientes é importante para funções como atenção, aprendizagem e memória.

A Profª Dra. Cristina Salles explica que, em pessoas idosas com apneia, as alterações repetidas da oxigenação durante a noite podem afetar funções cognitivas e contribuir para o agravamento de problemas de saúde.

Os efeitos também podem aparecer durante o dia. Sonolência excessiva e dificuldade de concentração podem comprometer tarefas habituais. Segundo a médica, distúrbios do sono podem estar associados a maior risco de quedas, pior controle de doenças cardiovasculares e perda de autonomia.

Profª Dra. Cristina Salles

“O idoso que dorme mal pode apresentar perda de autonomia, maior risco de quedas e pior controle de doenças cardiovasculares”, afirma a Profª Dra. Cristina Salles.

Por isso, familiares, cuidadores e profissionais de saúde têm papel importante na observação de sinais como ronco intenso, pausas respiratórias durante o sono, despertares frequentes e mudanças persistentes na atenção e na memória.

Pesquisa e diagnóstico na rede pública

Ampliar o rastreamento dos distúrbios respiratórios do sono no Sistema Único de Saúde (SUS) é uma das necessidades apontadas pela Profª Dra. Cristina Salles. A pesquisadora desenvolve estudos sobre apneia obstrutiva do sono, envelhecimento e déficit cognitivo, incluindo projetos apoiados pelo Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS).

A professora defende que a investigação do sono seja incorporada à avaliação global da pessoa idosa, especialmente quando há queixas de memória, hipertensão de difícil controle, sonolência excessiva ou histórico de quedas.

Identificar esses problemas e oferecer tratamento adequado, segundo a médica, pode contribuir para melhorar a qualidade de vida e preservar a funcionalidade e a independência do paciente.

Uma população que demanda cuidado integral

O crescimento da população idosa reforça a importância dessa atenção. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, equivalentes a 16,6% da população. As projeções indicam que esse grupo poderá representar mais de um terço dos habitantes do país até 2070.

Esse cenário amplia a necessidade de estratégias que favoreçam a longevidade com saúde, independência e qualidade de vida. Reconhecer e investigar alterações do sono faz parte desse cuidado.

Neste Dia do Idoso, 01 de outubro, a Profª Dra. Cristina Salles reforça a orientação: ronco intenso, pausas respiratórias, sonolência excessiva e mudanças persistentes no padrão de sono merecem avaliação especializada.

 

Cuidar do sono é também cuidar da memória, da saúde cardiovascular e da autonomia ao longo do envelhecimento.

 

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